Criação de Sites para Advogados e Escritórios
O Provimento 205/2021 abriu o marketing jurídico digital. Ele não abriu tudo — e o que ficou de fora é justamente o que a maioria dos sites tenta fazer.
O Provimento 205/2021 do Conselho Federal da OAB fez o que a advocacia esperava havia uma década: reconheceu o marketing jurídico digital e admitiu anúncio pago. O que ele não fez foi liberar o discurso. Sobriedade, discrição e a vedação à captação de clientela continuam de pé — e é nessa faixa estreita que um site de escritório precisa funcionar: ser encontrado sem parecer que está caçando cliente.
O que o provimento permite e o que veda
Permitido
- Marketing de conteúdo jurídico, com publicidade ativa ou passiva (art. 4º).
- Anúncios, pagos ou não, em meios de comunicação não vedados, desde que sem mercantilização (art. 4º).
- Logomarca, fotos dos advogados e identidade visual própria — exceto os símbolos oficiais da OAB (art. 5º, §2º).
- Dados de contato e meios de comunicação do escritório, em caráter informativo, com moderação (art. 4º, §3º).
- Participação em vídeos ao vivo ou gravados, na internet e nas redes sociais (art. 5º, §3º).
Vedado
- Mencionar valores de honorários, formas de pagamento ou descontos (art. 3º).
- Anunciar especialidade sem certificação comprovada (art. 3º).
- Orações ou expressões persuasivas, de autoengrandecimento ou de comparação (art. 3º).
- Distribuição indiscriminada de material publicitário (art. 3º).
- Promessa de resultado e utilização de casos concretos (art. 6º).
- Impulsionar publicidade por meios que influam de forma fraudulenta (art. 4º, §5º).
Fonte: Provimento nº 205/2021 do CFOAB, lido em conjunto com o Estatuto da Advocacia e o Código de Ética e Disciplina. Tribunais de Ética Seccionais têm entendimentos próprios — vale conferir com a sua Seccional.
“Caso concreto” é a restrição que mais dói — e tem saída
Todo escritório quer mostrar resultado, e o art. 6º veda exatamente isso. A saída legítima não é disfarçar o caso: é trocar o caso pela tese.
“Conseguimos a aposentadoria especial de um cliente que trabalhou 25 anos exposto a ruído” é caso concreto. “O que muda na aposentadoria especial depois da Emenda Constitucional 103” é conteúdo jurídico — permitido, e melhor para captar, porque é isso que a pessoa digita no Google. Quem pesquisa está com a dúvida, não procurando o troféu de outra pessoa.
Na prática, essa restrição empurra o escritório para o formato que funciona melhor de qualquer forma: conteúdo explicativo que responde a uma pergunta específica, publicado de forma constante. O cliente chega até o escritório porque encontrou a resposta antes da consulta.
Sobriedade é uma regra de linguagem, não de design
Confunde-se muito sobriedade com austeridade visual, e o resultado são sites jurídicos que parecem ter parado em 2009. O provimento fala de discurso, não de estética. O que denuncia falta de sobriedade é o texto:
- superlativo e autoengrandecimento — “o maior escritório”, “especialistas incomparáveis”;
- comparação com outros profissionais;
- urgência e escassez — “últimas vagas”, “fale agora antes que prescreva”;
- número de vitórias, percentual de êxito, valores recuperados.
Fora isso, um site de advocacia pode e deve ser moderno: tipografia legível, hierarquia clara, carregamento rápido, fotografia profissional. Nada disso é imoderado — e tudo isso influencia se a pessoa confia o suficiente para escrever.
Como estruturamos um site de escritório
- Uma página por área de atuação, escrita como explicação e não como vitrine de serviço.
- Conteúdo por dúvida específica, não por área ampla: é a busca de cauda longa que traz o cliente certo.
- Nome e inscrição na OAB em local visível, com as áreas de atuação apresentadas com moderação.
- Nenhuma menção a honorário, nem a “consulta gratuita” — que é oferta comercial disfarçada.
- Contato sóbrio: formulário curto e canal direto, sem contagem regressiva nem apelo emocional.
Veja o resultado disso em o site da Advocacia Menin, de previdenciário internacional. Sobre a estratégia por trás: inbound marketing para escritórios. Todos os segmentos em criação de sites por segmento.